quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Menos tv, mais horta

Texto via internet, acho que expressa bem a dinâmica que vivemos hoje.
Agora mesmo recebi uma "bronca " da minha esposa: - "Vai ficar i dia inteiro sentado ai, nesse computador?"

Querida, espero que não.

De: Gaiatos e Gaianos - Por Giuliana Capello

Blog Gaiatos e Gaiano

"Menos tv, mais horta



Uma das coisas de que mais gosto na ecovila é a sensação de ter tempo. E o mais estranho é que , quando estou lá, olhar para o relógio é algo que nem de longe passa pela minha cabeça. Incrivelmente, mesmo com a “agenda cheia” (plantar, construir, roçar, limpar, cozinhar, planejar etc.), não é preciso marcar hora para fazer as coisas.

Pode parecer bucólico demais, mas é a pura verdade: acordamos quando os passarinhos avisam que já é de manhã, vamos para o trabalho logo após o café, almoçamos quando bate a fome e o sol encurta nossa sombra. Depois, fazemos uma breve pausa para a digestão, com direito a uma soneca ou uma conversa preguiçosa na varanda. Sem pressa. Em seguida, voltamos ao trabalho para, então, só encerrar no entardecer – quando é hora de voltar para a Casa Clara (nossa casa comunitária), praticar yoga, tomar um banho, meditar, preparar o jantar e sentar em grupo, espalhados na sala, para ouvir histórias, contar as novidades e até reclamar da vida, se preciso for. Ufa! Tudo isso em um único dia!

Sinto que os dias rendem mais, que realizo coisas prazerosas, que meu trabalho faz diferença naquele pedacinho de mundo. É diferente de quando volto para São Paulo e, por dever do ofício, passo horas na cadeira do escritório diante da tela do computador. É como se o tempo fugisse de mim. Quando me dou conta, a manhã já virou tarde, perdi a hora do almoço e vou ter que correr se quiser terminar tudo antes do fim do dia. Sem falar nas outras inúmeras tarefas que parecem pular na minha frente, pedindo urgência. Muitas vezes, vejo o sol cair e penso que não realizei quase nada. O que será que acontece?

(Minha professora de yoga costuma dizer que nós estamos onde nossa atenção está. “Então, escolha estar presente, no aqui e agora”, ela pede. É assim mesmo que sinto: quando estamos remoendo fatos do passado, gastamos energia em algo que não mudará mais. Ao passo que, se estamos adiantados no tempo, sofremos ou sorrimos por antecipação, herdeiros que somos de um mundo mais que ansioso.)

Para mim, essa sensação de perda ou falta de tempo está relacionada ao período (ainda longo) que invisto vivendo sob a mediação de uma tela, que pode ser a do computador ou da tv, tanto faz. É como se o tempo tivesse um ritmo próprio, que foge do meu controle, que corre sem sintonia com nenhum ciclo da natureza. É artificial, quase plastificado. O download demorou a ser completado e o dia acabou. A caixa de e-mails estava cheia (de porcarias e apenas duas mensagens realmente importantes) e perdi horas tentando tirar da frente aquilo que brandia como um atraso ou falta de eficiência para dar conta de tudo. Baahh!

Numa apologia clara e explícita ao tempo do agora, ouso dizer que a sustentabilidade também deve ser companheira do momento presente. Não dá para pensar em melhorar o mundo se não temos tempo nem para um almoço minimamente tranquilo, certo? Ou para brincar com os filhos, visitar a família, fazer uma surpresa a um amigo ou ficar em casa sem fazer nada (o vazio, às vezes, é o que falta para que algo novo possa “caber” em nossas vidas). Se não temos uma rotina sustentável, como poderemos acreditar que o mundo pode ser mais sustentável? Menos tv e mais horta será meu lema na ecovila. Nada de perder tempo com programas inúteis. Trabalhar na horta (e em tudo o mais que houver de importante) faz o dia – e a vida – valerem muito mais.

Foto: Como já cantava Cartola: "Alvorada lá no morro, que beleza!" Assim é o amanhecer na ecovila..."
Amplexos

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